Blog

Valores

Debater sem bater

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

 

Um conjunto de fatores torna, de modo ambíguo, o momento atual um ponto fora da curva para o Brasil. A maior parte dessa ambivalência se deve justamente à forte polarização política a que assistimos, em que as nuances são desencorajadas e os extremos, reforçados.

 

A Redata não tem por hábito expressar preferências político-partidárias, nem é disso que trata este texto. Mas achamos importante se posicionar em prol do diálogo em uma etapa crucial para o país, em que seria no mínimo estranho fingir que nada está acontecendo.

 

A necessidade de ajustes e reformas é um dos poucos consensos entre todos os espectros políticos brasileiros de hoje, passando pelo discurso de todos os partidos, ainda que direcionada a interesses distintos. Por isso acreditamos que esta é a hora de se informar mais e melhor, e de intensificar os debates — aqui entendidos não como o bate-boca puro e simples, a demagogia que já não nos surpreende, mas sim como o gesto corajoso, respeitoso e generoso de se fazer ouvir e, em contrapartida, saber ouvir o próximo.

 

Em vez de temer a política, de preferir se distanciar dela, é importante lutar para que as práticas democráticas sejam cada vez mais aperfeiçoadas e sólidas, algo especialmente caro a uma empresa de organização da informação. Ao lidar com acervos, pensamos e repensamos cotidianamente valores como transparência, legalidade e legitimidade.

 

Em duas semanas, a agora ex-presidente da República sofreu impeachment e o agora ex-presidente da Câmara foi cassado — sendo que justamente ele havia dado início ao processo de afastamento dela. Gostem-se ou não desses dois agentes, é certo que a saída deles tem algo de irônico e de desgastante, que vai tomar tempo e disposição do país para superá-la. Isso num um cenário que já não é dos mais favoráveis, com uma crise política de representatividade intimamente atrelada aos problemas econômicos.

 

Portanto, em vez de pôr um ponto final nas discussões, e ainda menos desejando lhes acrescentar mais pontos de exclamação, queremos, ao contrário, estimular interrogações. Talvez, se nos fizéssemos mais perguntas e disparássemos menos certezas, estaríamos em uma fase mais interessante e empolgante para a nação. Deixamos o convite para reflexões mais profundas, fecundas, e menos acaloradas e apressadas.

 


Tags: