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Por que a Anvisa contesta o teste com medicamentos genéricos exibido na TV?

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

 

A semana começa com uma polêmica na área de assuntos regulatórios. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, na tarde desta segunda-feira (30), um comunicado em que refuta o teste com medicamentos genéricos levado ao ar na noite anterior pelo “Fantástico”, da TV Globo.

 

Na reportagem do programa dominical, procurou-se testar em laboratório se os três princípios ativos presentes em remédios genéricos mais vendidos no país ao longo de 2015: losartana potássica, dipirona sódica, citrato de sildenafila. Marcas conhecidas, como Medley, EMS e Neo Química foram “reprovadas”.

 

Porém, a Anvisa diz que o laboratório que fez os testes a pedido do “Fantástico” não é habilitado para efeito de análise fiscal ​— como havia declarado o programa da Globo ​— e comunica “espanto” a respeito do fato de não terem sido realizadas verificações de bioequivalência, “que é, em todo o mundo, o teste mais importante e conclusivo para definir se um genérico é realmente equivalente ao medicamento de referência”.

 

De acordo com a agência reguladora, o programa de televisão deixou de observar procedimentos e parâmetros preestabelecidos e, por isso, os resultados obtidos são, pelo menos, incompletos.

 

“Os testes que foram realizados pelo laboratório contratado pelo ‘Fantástico’ — de teor e de dissolução do princípio ativo — são importantes, mas não suficientes. Ou seja, não são capazes de assegurar a equivalência farmacêutica dos medicamentos genéricos com os medicamentos de referência, o que é feito pelo teste de bioequivalência, que não foi realizado para a reportagem”, afirma um dos trechos da nota oficial. “Nesse sentido, a matéria presta um desserviço à população ao fornecer informações incompletas e não oficiais sobre a qualidade de medicamentos.”

 

Os prováveis erros cometidos pela equipe da “revista eletrônica semanal” da Globo podem ocorrer mesmo em empresas diretamente reguladas pela Anvisa. Desconsiderar as credenciais de um laboratório (ou, como nesse episódio, a extensão dessas credenciais, para quais testes ele está habilitado e para quais não está) bem como os parâmetros para realizações de verificações de segurança é o tipo de imprudência que, por vezes, leva a multas e punições severas contra as indústrias farmacêutica e cosmética.

 

Nesse caso, manter informações organizadas não apenas evita perda de tempo e dinheiro, como também a produção de pareceres imprecisos ou mesmo incorretos.

 

É possível conferir a íntegra da nota oficial no site da Anvisa.

 


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